O
enredo do apartamento de Sofia Fava em Alvalade e começou a ganhar
vida em 2011, ano em que a ex-mulher de José Sócrates decidiu
vender o imóvel. No mesmo ano, mais precisamente a 28 de
dezembro, a Gigabeira – uma empresa de construção civil do grupo
Constrope, de que Carlos Santos Silva era administrador – avançou
para a compra do apartamento por 400 mil euros. Até aqui, nada
de estranho.
Não fosse um pormenor importante: em
2011, a empresa já apresentava um prejuízo de 200 mil euros. Um
ano e meio depois, a Gigabeira colocou a antiga casa de Sofia
Fava à venda por 350 mil euros. Surgiu um interessado, que conseguiu
concluir o negócio por 260 mil euros, menos 90 mil euros do preço
exigido pela empresa. Mas, se o ditado “sorte de uns, azar de
outros” é verdadeiro, aqui teve ainda mais força: pouco tempo
depois de concluir o negócio, a empresa de construção civil
declarou insolvência e o novo comprador conseguiu ficar com o
apartamento apenas por 50 mil euros, valor do sinal.
A
Gigabeira venceu todos os concursos públicos a que concorreu – 20
no total. Um valor que passou para metade quando Pedro Passos Coelho
se tornou primeiro-ministro.
Quanto à venda do apartamento, Sofia Fava declarou que foi "como
medida de gestão urgente decidi dar por conta do pagamento do valor
dessas obras
,
o meu bem imóvel
interessava
à empresa de construção civil que me tinha executado as obras,
Foi-me,
na altura, solicitada, pela empresa interessada, uma procuração
irrevogável, que emiti, mas que foi usada apenas um ano depois pelo
beneficiário, o qual, em meu nome, vendeu o bem imóvel a quem
entendeu e sem o meu controle direto ou indireto”.
No
entanto, dois meses depois de vender o apartamento, como medida de
“gestão urgente”, Sofia Fava decidiu adquirir uma herdade de 12
hectares no Alentejo, com piscina e uma casa de 600 m². O preço: 760
mil euros.
Para
o fazer, Sofia Fava contraiu um empréstimo ao BES, garantido
por uma aplicação financeira no mesmo valor e cuja prestação
mensal era de 4.488 euros. E é
aqui que se unem as pontas com Carlos Santos Silva:
a ex-mulher de José Sócrates recebeu, “entre 2010 até
finais de 2014″, como a própria confirmou à RTP, uma avença
mensal do empresário no valor de 5.000 euros. Um valor que Sofia
Fava explicou fazer parte de um contrato de prestação de
serviços assinado com outra empresa de Carlos Santos Silva, a XML.
“Prestei
serviço, em dedicação exclusiva até 2013, com contrato de avença,
que vigorou desde o inicio de 2010 até finais de 2014, na área de
projetos de urbanismo e ambiente, à empresa XLM, de que o engenheiro
Carlos Santos Silva é, tanto quanto sei, sócio, tendo
recebido o valor ajustado para o trabalho que executei e que se
encontra documentado. O empréstimo que me permitiu adquirir o bem
imóvel no Alentejo, está a ser pago por mim e pelo meu atual
companheiro”.
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