segunda-feira, 18 de maio de 2015

O MP descobriu 10 esquemas usados por Sócrates e Carlos Santos Silva para camuflarem transferências

O Ministério Público descobriu dez esquemas que terão sido usados pelo ex-primeiro-ministro, José Sócrates, e pelo amigo Carlos Santos Silva para camuflarem transferências de dinheiro do empresário de construção civil para Sócrates. Ao todo, entre o início de 2012 e novembro de 2014, o MP contou 1,5 Milhões € só em viagens, férias pagas, transferências bancárias indiretas e em dinheiro vivo.
Mais de metade dessa verba está documentada com ordens de transferências e faturas. Outros 650 mil euros terão sido entregues diretamente em mão, faseadamente e cujos indícios foram identificados através de escutas coincidentes com levantamentos de uma conta do empresário.
Nas escutas, Sócrates foi apanhado a pedir dinheiro, referindo-se sempre a “fotocópias”, “livros” e “folhas de dossiê”, antes de cada uma dessas 40 entregas. E o tom, ao que conta o semanário, era de quem exigia, e não de quem pedia emprestado.
Além destes esquemas, Santos Silva fez, ainda, transferências para pessoas próximas de Sócrates, como uma mulher que vive na Suíça e que se costumava encontrar com Sócrates e que recebeu mais de 90 mil euros em seis anos. Também a ex-mulher de Sócrates, Sofia Fava, manteve relações financeiras com o empresário. Fava chegou mesmo a pedir um empréstimo de 760 mil euros para comprar uma propriedade no Alentejo e o fiador foi Santos Silva, que além disso, entre 2013 e 2014, lhe pagou cinco mil euros por mês, num total de 90 mil euros, quando a prestação do empréstimo era 4700 euros por mês. Antes disso era Sócrates que pagava a prestação.

O MP acha que os arguidos foram ao longo dos tempos produzindo documentos para justificar as movimentações financeiras. Esquema alegadamente usado, por exemplo, pelo Grupo Lena e uma empresa fantasma sediada em Londres, cujo dono é Lalanda e Castro, administrador da farmacêutica suíça Octapharma, que contratou Sócrates em 2013 como consultor em troca de 12 mil euros por mês. Além disso há ainda a casa de Paris, comprada em 2012, por 2,8 milhões de euros e que o MP alega ser na verdade do primeiro-ministro, pois o contrato de arrendamento entre Sócrates e Santos Silva apesar de ter data de Dezembro de 2012, só foi produzido em Fevereiro de 2014.

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