domingo, 17 de maio de 2015

02/01/2015 - Entrevista de Sócrates à TVI: “Falta provar rigorosamente tudo”

Um resumo das principais respostas de José Sócrates:

Dou esta entrevista em legítima defesa contra a sistemática e criminosa violação do segredo de justiça e contra a divulgação de “informações” manipuladas, falsas e difamatórias, em legitima defesa, contra a transparência do julgamento para uma praça pública onde só pode fazer-se ouvir uma voz e onde só pode circular livremente uma versão deturpada das coisas. Em legítima defesa contra uma agressão feita cobardemente, a coberto do anonimato, como é típico dos aparelhos burocráticos onde reina o “governo de ninguém” – “ninguém” o exerce, “ninguém” presta contas.

Como está à vista de todos, não estiveram à altura das suas responsabilidades e não fizeram bem o seu trabalho. O que não me deixa outra alternativa senão fazer tudo o que estiver ao meu alcance para defender a minha honra e o meu bom nome.

O que afirmo, portanto, é que fui detido e preso (preventivamente) sem me terem sido referidos nem factos nem provas de que tenha cometido quaisquer crimes, a começar pelo crime de corrupção que estaria na origem de tudo.
É uma imaginativa cascata de presunções. Mas não passa disso.
Não tenho a mínima dúvida de que esta prisão preventiva é ilegal

Para o caso, o que importa deixar claro é que o facto de o Engenheiro Carlos Santos Silva me ter emprestado dinheiro, muito ou pouco, não transforma o dinheiro dele em dinheiro meu! Isso, convenhamos, é um completo disparate!
A tese que me imputa ser eu o dono do famoso “apartamento de luxo” de Paris, para além de não ter a mais pequena sustentação – que não tem – é também completamente absurda!

E digo mais: este processo é, na sua essência, político. No sentido em que tem que ver com o poder, os seus limites e o seu exercício; o poder de deter para interrogar e o poder de prender preventivamente pessoas inocentes. Já para não falar nas consequências que este processo inevitavelmente terá na disputa política. Veremos quais. Como já disse, isto ainda agora começou."

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