segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sócrates escutado a falar com o advogado Daniel Proença de Carvalho, sobre o negócio de compra da Controlinveste – que detém o DN, o JN e a TSF

O ex-primeiro-ministro, José Sócrates, foi escutado a falar com um dos seus advogados, Daniel Proença de Carvalho, sobre o negócio de compra da Controlinveste – o grupo que detém o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF.
Das escutas, no âmbito do processo que pôs Sócrates em prisão preventiva, percebe-se que foi o ex-governante quem escolheu o atual diretor do JN, Afonso Camões. E que Proença de Carvalho chegou a reunir com o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social para tentar travar as primeiras notícias sobre as suspeitas da casa de Paris, ainda em 2013. 
Há várias conversas com o advogado de Proença Carvalho (também advogado do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado). O advogado que preside ao conselho de administração da Controlinveste desde a saída do empresário Joaquim Oliveira, foi uma das principais peças na negociação, em 2013, com os bancos BES e BCP, que são agora acionistas da Controlinveste – a par do empresário angolano António Mosquito. Sócrates terá incentivado Proença de Carvalho com o negócio da Controlinveste e chegou mesmo, segundo o CM, a admitir ajudar a encontrar capital para o negócio.
Por outro lado, viria a ter um “papel decisivo” na escolha do diretor do Jornal de Notícias, Afonso Camões. Outra das conversas escutadas dá conta de Afonso Camões a dizer a Sócrates que preferia ser diretor do Diário de Notícias. O ex-governante, agora em prisão preventiva, disse-lhe que era melhor ser diretor do JN, para poder concorrer diretamente com o CM. Assim foi.
Um dia depois de o Correio da Manhã anunciar que se iriam seguir notícias sobre o negócio da Controlinveste, o Jornal de Notícias fez capa com o caso Sócrates, onde revela que a investigação ao ex-governante recua ao período em que era ainda ministro do Ambiente, entre 2000 e 2005 – altura da aprovação do Freeport que originou um processo. Neste caso, Sócrates chegou a ser referido, mas nunca foi inquirido ou constituído arguido.

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