O
ex-primeiro-ministro, José Sócrates, foi escutado a falar com um
dos seus advogados, Daniel Proença de Carvalho, sobre o negócio de
compra da Controlinveste – o grupo que detém o Diário de
Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF.
Das escutas, no âmbito do
processo que pôs Sócrates em prisão preventiva, percebe-se que foi
o ex-governante quem escolheu o atual diretor do JN, Afonso Camões.
E que Proença de Carvalho chegou a reunir com o presidente da
Entidade Reguladora para a Comunicação Social para tentar travar as
primeiras notícias sobre as suspeitas da casa de Paris, ainda em
2013.
Há várias conversas com o advogado de Proença Carvalho
(também advogado do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado). O
advogado que preside ao conselho de administração da Controlinveste
desde a saída do empresário Joaquim Oliveira, foi uma das
principais peças na negociação, em 2013, com os bancos BES e BCP,
que são agora acionistas da Controlinveste – a par do empresário
angolano António Mosquito. Sócrates terá incentivado Proença de
Carvalho com o negócio da Controlinveste e chegou mesmo, segundo o
CM, a admitir ajudar a encontrar capital para o negócio.
Por outro
lado, viria a ter um “papel decisivo” na escolha do diretor do
Jornal de Notícias, Afonso Camões. Outra das conversas escutadas dá
conta de Afonso Camões a dizer a Sócrates que preferia ser diretor
do Diário de Notícias. O ex-governante, agora em prisão
preventiva, disse-lhe que era melhor ser diretor do JN, para poder
concorrer diretamente com o CM. Assim foi.
Um dia depois de o Correio
da Manhã anunciar que se iriam seguir notícias sobre o negócio da
Controlinveste, o Jornal de Notícias fez capa com o caso Sócrates,
onde revela que a investigação ao ex-governante recua ao período
em que era ainda ministro do Ambiente, entre 2000 e 2005 – altura
da aprovação do Freeport que originou um processo. Neste caso,
Sócrates chegou a ser referido, mas nunca foi inquirido ou
constituído arguido.
Sem comentários:
Enviar um comentário