segunda-feira, 18 de maio de 2015

Há movimentos bancários e escutas que provam que Sócrates recebia dinheiro de Santos Silva. Qual a razão?

Era o empresário quem pagava o salário do motorista de Sócrates, João Perna também preso, e que arranjou trabalho para a ex-mulher dele, Sofia Fava – cuja casa foi alvo de buscas pelas autoridades. 

O juiz de instrução Carlos Alexandre terá mesmo confrontado os dois arguidos com essas escutas, em primeiro interrogatório judicial. Esta informação foi cruzada por vários movimentos bancários ocorridos desde 2009 quando Carlos Santos Silva transferiu 23 milhões de euros, que amealhou numa conta da Suíça, para várias contas em Portugal.
Há registos de transferências das contas, nomeadamente no BES, de Carlos Santos Silva para José Sócrates. Recorde-se que Carlos Santos Silva comprou casas a mãe de Sócrates e era também proprietário do apartamento em Paris onde Sócrates viveu.
No despacho do juiz Carlos Alexandre refere-se ainda que Carlos Santos Silva transferiu dinheiro para Sócrates que serviu para pagar férias e viagens – pelo menos é o que se conclui da documentação apreendida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal.
Os investigadores suspeitam que estes pagamentos funcionem como prestações dos 23 milhões de euros que estavam na Suíça, acreditando que pertenciam a Sócrates e que Santos Silva seria um testa de ferro. No entanto, não se sabe para já como é que o Ministério Público vai provar que este valor era, de facto, de Sócrates. E que terá resultado do favorecimento em algum negócio, nomeadamente através do Grupo Lena.
Sempre que Sócrates pedia dinheiro ao seu amigo e empresário, Santos Silva, socorria-se de subterfúgios para disfarçar o pedido. Um dos exemplos foi apanhado numa escuta que revela que o ex-primeiro-ministro pedia fotocópias quando precisava de uma quantia monetária. Também o momento da entrega do dinheiro, que terá sido captado através de vigilâncias, era feito discretamente, afastando a tese da defesa de que se trataria de um mero empréstimo pessoal, pois sendo esse o caso, não seria necessário tanto disfarce e secretismo.

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