domingo, 17 de maio de 2015

A Denúncia da CGD e as ligações de base do processo

A denúncia de movimentos bancários suspeitos do ex-primeiro-ministro José Sócrates terá partido da Caixa Geral de Depósitos (CGD) por comunicação bancária ao abrigo das medidas de prevenção e branqueamento de capitais. 
A comunicação que deu origem à investigação terá sido feita há mais de um ano.
Entre as operações que levantaram dúvidas, estavam transferências da mãe para o ex-primeiro ministro, algumas superiores a 200 mil euros que terão ocorrido quando Sócrates estava a viver em Paris, e que supostamente resultaram da venda de imóveis no Cacém e no edifício Heron Castilho.
A venda de casas em nome da mãe de José Sócrates e a compra de uma casa em Paris, que agora está à venda, são operações sob investigação em que Carlos Santos Silva terá atuado como testa de ferro do antigo primeiro ministro
O sigilo bancário e fiscal foi levantado para permitir as inquirições. Estas transações terão, segundo a imprensa, resultado da alienação de imóveis que estavam em nome da mãe, Maria Adelaide de Sousa, a Carlos Santos Silva. Só que o dinheiro usado pelo empresário e amigo de Sócrates para financiar estas aquisições seria do próprio ex-primeiro ministro. O esquema de triangulação, em que Carlos Santos Silva seria um testa de ferro, terá permitido branquear (colocar no circuito legal) dinheiro cuja origem é desconhecida e portanto suspeita e ao mesmo tempo possibilitar que José Sócrates tivesse acesso a estes fundos que não estavam em seu nome. 
Há suspeitas de que as operações com dinheiro vinham também das ditas contas paralelas de Sócrates e que este acabaria transferido pela mãe para a sua conta na CGD – ou, noutros casos, através do seu motorista, João Perna. 
Desde janeiro de 2013, que Sócrates é presidente do conselho consultivo para a América Latina da Octapharma, declarando um rendimento mensal de 12 mil euros. No entanto, o jornal Sol diz que Sócrates receberia regularmente das mãos de Carlos Santos Silva quantias em dinheiro da ordem dos 10 mil euros, alegadamente por conta das verbas que estariam em nome do empresário e amigo dos tempos da Covilhã.

A ligação será pessoal e antiga. Carlos Santos Silva é indicado como amigo de Sócrates desde os tempos da Covilhã e a sua empresa, a Conegil, fez parte do consórcio que se suspeitou ter sido favorecido na adjudicação de um aterro sanitário na Cova da Beira – sem que isso tivesse sido provado em tribunal. 
O nome Santos Silva terá ainda sido referido nas gravações do caso Face Oculta. Poucos dias depois das eleições legislativas de 2009, que retiraram a maioria absoluta a José Sócrates, Carlos Santos Silva saía do Grupo Lena. Já antes tinha constituído a empresa Proengel. Metade dos contratos foi celebrada durante os dois anos do último mandato de José Sócrates, no valor de 1,7 milhões de euros.

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