A
denúncia de movimentos bancários suspeitos do ex-primeiro-ministro
José Sócrates terá partido da Caixa Geral de Depósitos (CGD)
por comunicação bancária ao abrigo das medidas de prevenção
e branqueamento de capitais.
A comunicação que deu origem à
investigação terá sido feita há mais de um ano.
Entre
as operações que levantaram dúvidas, estavam transferências da
mãe para o ex-primeiro ministro, algumas superiores a 200 mil euros
que terão ocorrido quando Sócrates estava a viver em Paris, e que
supostamente resultaram da venda de imóveis no Cacém e no edifício
Heron Castilho.
A
venda de casas em nome da mãe de José Sócrates e a compra de
uma casa em Paris, que agora está à venda, são operações
sob investigação em que Carlos Santos Silva terá atuado como
testa de ferro do antigo primeiro ministro
O
sigilo bancário e fiscal foi levantado para permitir as
inquirições. Estas transações terão, segundo a imprensa,
resultado da alienação de imóveis que estavam em nome da mãe,
Maria Adelaide de Sousa, a Carlos Santos Silva. Só que o dinheiro
usado pelo empresário e amigo de Sócrates para financiar estas
aquisições seria do próprio ex-primeiro ministro. O esquema de
triangulação, em que Carlos Santos Silva seria um testa de ferro,
terá permitido branquear (colocar no circuito legal) dinheiro cuja
origem é desconhecida e portanto suspeita e ao mesmo tempo
possibilitar que José Sócrates tivesse acesso a estes fundos que
não estavam em seu nome.
Há suspeitas de que as operações
com dinheiro vinham também das ditas contas paralelas de Sócrates e
que este acabaria transferido pela mãe para a sua conta na CGD
– ou, noutros casos, através do seu motorista, João Perna.
Desde
janeiro de 2013, que Sócrates é presidente do conselho consultivo
para a América Latina da Octapharma, declarando um rendimento mensal
de 12 mil euros. No entanto, o jornal Sol diz que Sócrates receberia
regularmente das mãos de Carlos Santos Silva quantias em
dinheiro da ordem dos 10 mil euros, alegadamente por conta das verbas
que estariam em nome do empresário e amigo dos tempos da Covilhã.
A
ligação será pessoal e antiga. Carlos Santos Silva é indicado
como amigo de Sócrates desde os tempos da Covilhã e a sua
empresa, a Conegil, fez parte do consórcio que se suspeitou ter sido
favorecido na adjudicação de um aterro sanitário na Cova da Beira
– sem que isso tivesse sido provado em tribunal.
O nome Santos
Silva terá ainda sido referido nas gravações do caso Face Oculta.
Poucos dias depois das eleições legislativas de 2009, que retiraram
a maioria absoluta a José Sócrates, Carlos Santos Silva saía do
Grupo Lena. Já antes tinha constituído a empresa Proengel. Metade
dos contratos foi celebrada durante os dois anos do último
mandato de José Sócrates, no valor de 1,7 milhões de euros.
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