sábado, 16 de maio de 2015

03/12/2014 - 1.º Pedido de Habeas Corpus recusado - Computador desaparecido 2 dias e viagem marcada para o Brasil

Um computador retirado da casa de José Sócrates pela empregada doméstica esteve desaparecido entre 24 e 48 horas e uma viagem marcada para o Brasil para 24/11/2014 estarão na origem da decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para recusar o pedido de habeas corpus ao ex-primeiro-ministro, requerido por Miguel Mota Cardoso.


Os juízes não consideraram ilegal a prisão do ex-governante, pois não se verificaram quaisquer indícios de “abuso de poder” e “erro grave, grosseiro”. Carlos Alexandre, o juiz de instrução criminal, revelou ao STJ que se verificou a retirada de objetos e dispositivos informáticos da casa de Sócrates na Rua Bramcaamp, entre 20 e 21/11/2014. Esta posição sustenta a tese de que o ex-primeiro-ministro, então em Paris, terá sido avisado das buscas e detenções dos restantes arguidos. A ida à capital francesa por Sócrates aconteceu no mesmo dia (19/11/2014) em que foi emitido o mandado de detenção. Na véspera, o dia em que o juiz emitiu o despacho, Sócrates havia-se encontrado com Pinto Monteiro, o ex-Procurador Geral da República, que lhe chamou “uma coincidência complicada” recusando que a investigação tivesse sido sequer abordada.

Os mesmos dispositivos foram recuperados apenas no dia 23/11/2014, por indicação do próprio José Sócrates, durante o interrogatório. Esta revelação indica, na perspetiva do juiz, que poderá ter havido interferência e perturbação da investigação, porque foi registado um intervalo de tempo sem que se soubesse o paradeiro do computador, havendo a possibilidade de ocultação ou eliminação de provas.



Outro fundamento para a rejeição do habeas corpus prende-se com a viagem marcada para o Brasil para o dia 24/11/2014, três dias depois de ter aterrado no aeroporto de Lisboa, onde foi detido. Apesar de o acórdão do STJ ter vincado que a viagem estava prevista no âmbito profissional que o vinculava à Octapharma, na qual exercia o cargo de consultor, este fator terá servido para justificar que haveria perigo de fuga por parte do ex-governante.

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