Vítor Escária, antigo assessor económico de José Sócrates durante os seus 6 anos à frente do Governo, foi alvo de buscas em Março, e esteve sob escuta durante meses.
Em causa, estão os negócios ligados à Venezuela e a Moçambique, sendo que os investigadores acreditam que o economista tenha sido um "angariador de negócios" para o então primeiro-ministro, ou melhor, para os seus supostos corruptores que posteriormente o compensariam de forma generosa.
Em Outubro de 2010, Sócrates viajou até à Venezuela em visita oficial para um encontro com o então presidente venezuelano Hugo Chávez, do qual resultaram acordos de cooperação entre os dois países. Um dos principais resultados desta visita foram as adjudicações de obras com o Grupo Lena, sendo a mais importante referente à construção de 12.512 casas e duas fábricas de lajes de betão, num contrato que ascendeu a 988 milhões de euros. Outro dos principais resultados da visita, foi o desbloqueamento do negócio relativo ao fornecimento de 520 mil computadores Magalhães à Venezuela.
Além da Venezuela, na mira dos investigadores estão também conversações com a Presidência da República moçambicana em 2013, já depois de Sócrates ter saído do governo.
“Após a saída do Governo, ele pediu-me contactos institucionais como quando estava no Governo. Agora, com quem ele ia falar não sei. Numa das vezes pediu-me para estabelecer contactos com Moçambique porque queria ir falar com o Presidente. Tratei das coisas, mas não sei nada sobre o que se passou”, revelou.
Para os investigadores, este é um facto que levanta a suspeita de que Vítor Escária facilitou negócios a José Sócrates já depois da sua colaboração governamental e, como consequência, também o Grupo Lena terá beneficiado destes contactos.
O economista, pertence ao grupo de 12 especialistas que elaborou o documento ‘Uma década para Portugal’ que foi recentemente apresentado por António Costa, como sendo o programa do PS para as próximas legislativas.